Caminhos do Mar, Caminhos do Descaso
Repetidas vezes, nos últimos
tempos — talvez desde o primeiro barulho das máquinas que anunciaram o
asfaltamento da antiga Interpraias, hoje Caminhos do Mar — venho repetindo o
mesmo alerta, como quem fala para o vento: a imprudência tomou conta da
rodovia. E, como sempre, o excesso de velocidade é o maestro dessa sinfonia de
irresponsabilidades.
Quando fui dirigente de associação comunitária, lembro das campanhas que fizemos com a esperança ingênua de que informação mudasse comportamento. Distribuímos panfletos, conversamos com moradores, pedimos apoio. Mas a estrada continuou sendo palco de uma pressa que ninguém sabe explicar. Não há categoria que escape: caminhões de entrega, vans escolares, motociclistas apressados, moradores que já deveriam conhecer cada curva, visitantes que parecem acreditar que estão em uma pista de corrida. Todos, sem distinção, ultrapassam os 60 km/h como se a placa fosse apenas decoração.
Quando fui dirigente de associação comunitária, lembro das campanhas que fizemos com a esperança ingênua de que informação mudasse comportamento. Distribuímos panfletos, conversamos com moradores, pedimos apoio. Mas a estrada continuou sendo palco de uma pressa que ninguém sabe explicar. Não há categoria que escape: caminhões de entrega, vans escolares, motociclistas apressados, moradores que já deveriam conhecer cada curva, visitantes que parecem acreditar que estão em uma pista de corrida. Todos, sem distinção, ultrapassam os 60 km/h como se a placa fosse apenas decoração.
E o que mais dói — o que mais
pesa — não são apenas os riscos aos humanos. É o rastro silencioso de vidas
pequenas que ficam pelo caminho. Cavalos, cães, gatos, animais que não conhecem
a lógica humana da pressa, mas pagam por ela com o próprio corpo. Uma
contabilidade triste, que cresce sem que ninguém pare para fazer as contas.
Hoje pela manhã, mais uma vez, a
cena se repetiu. Sobre o asfalto ainda frio, o corpinho inerte de um
animalzinho que não teve chance alguma. Um ser indefeso que encontrou, no
caminho errado e na hora errada, um motorista que confundiu volante com gatilho,
carro com arma, velocidade com poder.
E foi isso que me trouxe de volta
ao papel, à palavra, ao apelo. Porque ainda é tempo. Ainda é possível evitar
que a tragédia que ronda a estrada deixe de ser apenas anunciada e se torne
inevitável.
Autoridades, olhem para os
Caminhos do Mar antes que eles se tornem caminhos de luto. A comunidade já
gritou. A estrada já avisou. Os animais já pagaram caro demais.
Ainda há tempo — mas não muito.
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